Peça em São Paulo: Soltando os Cachorros

"SOLTANDO OS CACHORROS"

textos de: HILDA HILST MARISA RAJA GABAGLIA e CASSANDRA RIOS

cLAVÍNIA PANNUNZIO LETÍCIA TEIXEIRA LILIAN DE LIMA roteiro: RODRIGO MURATdireção : ANGELA BARROS
Este projeto foi idealizado e produzido pelo ator e produtor JÔ SANTANA ESTRÉIA:18 DE MARÇO (QUARTA-FEIRA)SESC AVENIDA PAULISTA - 100 LUGARESAVENIDA PAULISTA 119 - PARAÍSOTELEFONE : 3179.3700QUARTA E QUINTAS FEIRAS - 20H30CURTÍSSIMA TEMPORADA - ATÉ 23 DE ABRIL não recomendável para menores de 16 anos

PAULO DE SIMONE / ASSESSORIA DE IMPRENSA
11 2605.0485


PREÇOS: Inteira : R$ 20,00 R$ 10,00 - usuários matriculados no SESC e dependentes, maiores de 60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino R$ 5,00 - trabalhadores no comércio e serviços matriculados no SESC e dependentes FORMAS DE PAGAMENTO: à vista em dinheiro ou cheque; crédito pelos cartões Visa, Mastercard e Dinners Club International; débito pelos cartões Visa Electron, Mastercard Electronic, Rede Shop e Cheque Eletrônico Os ingressos poderão ser adquiridos em qualquer unidade do SESC
SINOPSE
Mulheres são falastronas. Mulheres são líricas. Mulheres são sensuais. Mulheres são cômicas. Mulheres são exageradas. Mulheres são... mulheres.
O espetáculo Soltando os Cachorros é uma reunião de textos falastrões, líricos, sensuais, cômicos, exagerados escritos por... mulheres.

Quem são elas? HILDA HILST ( 1930 - 2004 )
Nasceu em Jaú, interior de São Paulo. Filha única do fazendeiro e escritor Apolônio de Almeida Prado Hilst de quem muita influência sofreu. Foi para a capital. Estudou nos colégios Santa Marcelina e Mackenzie. Aconselhada pela mãe, ingressou na faculdade de Direito do Largo do São Francisco. Muito bonita, despertou a paixão de vários homens, de empresários a poetas, Vinícius de Moraes entre eles. Sua obra é premiada e traduzida para diversos idiomas. Nos últimos anos de sua vida retirou-se para uma casa-fazenda onde morava na companhia de muitos cachorros. "Se teu canto é bonito, cuidado que não seja um grito." Hilda Hilst morreu no dia 4 de fevereiro de 2004.

CASSANDRA RIOS ( 1932 - 2002 ) Nasceu no bairro de Perdizes em São Paulo. Aos 16 anos publicou seu primeiro romance. Escondeu-se por trás de pseudônimo (seu nome real era Odete) para publicar uma obra considerada, por muitos, pornográfica. Escritora popular, chegou a ter 300.000 cópias de um livro vendidas e foi perseguida pela censura do regime militar. Lesbianismo era um dos temas presentes em sua obra. Depois de badalar por programas de tevê e festas de gala nas quais era recebida com pompa por governadores nos anos 60 e 70, adotou um estilo de vida recluso e tornou-se messiânica. Ela própria se definiu em um dos trechos de seu livro autobiográfico "Flores e Cassis": "Como mulher eu sou, na definição exata de como me sinto, uma menina medrosa que se escondeu atrás de um pseudônimo, que se assustava e tinha medo de tudo, e hoje não tem medo de nada! Adormeci num sonho, enveredando por pesadelos, para viver escudada na fantasia de ser Cassandra. (...) Me batizaram de demônio das Letras, Papisa do Homossexualismo, uma dama de capa e espada, seduzindo e corrompendo. Vestiram-me e revestiram-me como decorosos santos, e no entanto, tudo ao redor dessa gente fede. (...) Anjos não somem, revezam-se." Cassandra Rios morreu no dia 8 de março de 2002, dia internacional da mulher
MARISA RAJA GABAGLIA ( 1942 - 2003 )
Marisa nasceu num automóvel Packard em plena rua de Copacabana, no Rio de Janeiro, defronte à Casa de Saúde para onde sua mãe estava sendo levada. Mãe esta que morreu quando a menina Marisa contava com apenas 5 anos de idade. Cursando o clássico no tradicional colégio Sacré-Coeur de Jesus, arriscava já algumas linhas, pequenas peças que eram representadas no colégio e versos, que mandava para Manuel Bandeira. Era aluna tipo primeira da classe, com média geral 9,9. Formou-se em Jornalismo pela PUC, teve duas filhas de um casamento que terminou em desquite amigável. Trabalhou em diversas revistas: Manchete, Fatos e Fotos, Ele e Ela, Desfile. Na Rádio Nacional teve dois programas: "De Mulher para Mulher" e "Abra seu Coração". Na Tv Globo, onde trabalhou por 18 anos, chegou a atuar como atriz na novela Pigmaleão 70, experiência considerada por ela traumática. Com o cabelo cortado à joãozinho que a consagrou, foi jurada do programa Flávio Cavalcanti. Deixou 8 livros e muitas crônicas argutas sobre o cotidiano geralmente urbano das grandes cidades em que viveu - Rio e São Paulo. Assim se Marisa se auto-definiu numa entrevista a Millôr Fernandes ao Pasquim em 21-11-1973:"Não sou superior a nada nem a ninguém. Dependo tremendamente do homem a quem eu estiver ligada, tanto emocional quando intelectualmente."Marisa morreu no dia 13 de janeiro de 2003.
JUSTIFICATIVA
Hilda, Cassandra, Marisa. A uni-las, o fato de serem mulheres, malditas e de terem morrido todas nos verdes anos do século que se inicia. Cassandra em 2002, Marisa em 2003, Hilda em 2004.
E por que malditas? Porque deram asas à imaginação, soltaram os cachorros e quiseram cantar de galo num terreiro onde deviam se contentar em ser apenas fêmeas. Não à toa, um dos livros que reúne crônicas de Marisa chama-se "Milho pra galinha, Mariquinha". Cassandra foi a vida inteira perseguida pela própria máscara. A tal ponto ia sua auto-censura que ela própria impedia sua mãe de ler seus livros. Hilda foi taxada de pornográfica e vendida quando enveredou por tintas mais pornográficas em livros "O Caderno Rosa de Lóri Lambi" e "A Obscena Senhora D." Logo ela que defendia a idéia de que o sexo sem amor não faz o menor sentido, é mera coreografia e repetição de gestos. Marisa sentiu na pele o preconceito ao viver um romance o cirurgião plástico Hosmany Ramos, preso e condenado seis meses depois do início do romance por assassinato, roubo e tráfico de drogas. Da experiência, ela escreveria o livro "Meu Amor Bandido".
Enfim, três mulheres destinadas a palmilhar o caminho da literatura.
OBJETIVO

"Soltando os Cachorros" pretende, de maneira lírica e divertida, resgatar, sob formato de um espetáculo classudo, a alma e a verve destas três grandes escritoras do século XX. Mulheres que atravessaram os anos de chumbo e de flores psicodélicas ingerindo pedra e regurgitando poesia. Rodrigo Murat alternou textos das três autoras, criando uma espinha dorsal, com a intenção de conduzir o espectador por regiões do mais ácido humor ao de mais puro lirismo, alternando-as em doses equilibradas de apreciação e deguste. Uma frugal salada agridoce, que vai do desbocado ao sublime e que tratam de amor, sexo, política, separação, pátria, nascimento e morte. As atrizes ora contracenam entre si, ora monologam para o público, estreitam laços, estabelecem cumplicidades
ENCENAÇÃO

Três escritoras falam da vida, do amor, das relações, da dor, do país, do mundo...Conversa de mulheres!
O espetáculo se passa em uma piscina. Uma mesa, resignificando o espaço cênico, trazendo para o espetáculo um novo olhar a cada mudança de cena. Assim surgem pensamentos, escritas, reflexões, vozes de mulheres dizendo sua condição. Uma interpretação simples, profunda, radical, traz à tona o que há de mais genuíno no trabalho do ator. A encenação revela o sentido do texto e busca extrair dele seus mais recônditos significados.


A DIREÇÃO
"Soltando os Cachorros" surge da necessidade de falarmos de nós mesmas, mulheres. Trazer para o palco reflexões, abordagens sobre a vida, de um ponto de vista feminino... através dessas incríveis escritoras que romperam com códigos de conduta e moral de um tempo, mulheres que trouxeram à tona temas como sexualidade, amor, morte, dor, desejo, prazer. E mergulharam num paralelo de vida e obra, revelando-nos seus descontentamentos, angústias, críticas e, sobretudo, uma enorme esperança na palavra, no "verso ardente","na procura obstinada". "Minha medida? - Amor"!Salve Hilda! Salve Cassandra! Salve Marisa! Salve todas as mulheres anônimas que, de um jeito ou de outro, reescrevem a suas histórias! Salve Lavínia, Letícia, Lílian e todas as Marias!!!
Ângela Barros

IDEALIZAÇÃO E PRODUÇÃO
Todo mundo sabe a lenha que é fazer teatro. Mas eu não me afobo. Pego meus gravetos e faço meu fogo. Tem sido assim desde 1993, quando fundei a Cia. Fato de Teatro, em sociedade com o administrador Ailson Barcos. Juntos, ao longo desses anos, já produzimos, entre outros: Pretas Por Ter; Abajur Lilás; É o Bicho, A Ordem Natural das Coisas; Eles Preferem as Loiras; Tio Vânia; Marcelo Marmelo Martelo; Pobre Super Homem; Procurando Firme; e Mostra Fernando Arrabal.
A idéia deste espetáculo brotou de maneira absolutamente natural. Acho importante falar de mulheres, dessas mulheres, e a colaboração dos parceiros ajudou a concretizar o sonho de levar para cena os maravilhosos textos de Hilda, Marisa e Cassandra. Escritoras que elevaram a palavra à sua máxima potência.
Quero agradecer minha querida amiga e parceira Angela, meu sócio Ailson, e mais Rodrigo, Lavínia, Letícia, Rachel, Ivani, Lilian, Cássio, Vera, Domingos, Daniel, Creusa, Francisco, Lenise, Paulo, Antonio Carlos, Roberto, André e ao SESC. Sem eles, esse fogo não aconteceria.
Jô Santana

FICHA TÉCNICA
Textos: Hilda Hilst, Marisa Raja Gabaglia e Cassandra RiosRoteiro: Rodrigo MuratIdealização e Produção: Jô Santana
Direção: Angela BarrosElenco: Lavínia Pannunzio, Letícia Teixeira e Lílian de Lima Figurino Cássio BrasilCenário: Vera OliveiraIluminação: Domingos QuintilianoTrilha sonora: Daniel Maia Fotografia: Lenise PinheiroAssessoria de Imprensa: Paulo de SimoneProgramação Visual: Marcelo MenequeliProdutora Intercâmbio Cultural : Creusa BorgesVisagismo: Antonio Carlos AraujoAdministração do espetáculo: André Lama Operação de Som e Luz: Roberto MelloAssistente de Produção: Ivani OllierAdministração Geral Ailson BarrosRealização: Cia. Fato de Teatro

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